Diretas Já, Projeto Nacional e outra República!
por Vinícius Puhl*
O Governo acabou! Inimigo público por excelência e princípio, o Estado brasileiro cumpriu ao longo do último período o papel de manter o privilégio dos Bancos e do dito ‘Mercado’ em detrimento dos interesses nacionais, da soberania e da democracia. As Reformas Anti-Nacionais e Populares (Previdência e Trabalhista) em curso, são apenas um exemplo deste papel nefasto. Propostas e consuzidas por agentes de um Capitalismo senil, cuja fonte de riquezas é o saque, a fraude e a guerra, a sociedade brasileira percebe, perplexa, que é hora de levantar-se e dizer: basta!
Nossa ‘jovem Nação’ carece de um projeto Nacional de Desenvolvimento, mas como no pensamento de que ‘nada é mais poderoso do que uma idéia cujo tempo chegou…’ de Victor Hugo, a hora é essa! O momento é de construirmos um caminho diferente, inovar, realizar algo autêntico e, sob o signo desse novo e desafiante tempo de crise, ganhar a sociedade, mobilizar os trabalhadores e trabalhadoras para a luta por MUDANÇAS!
Nossa primeira Constituição Republicana, que nasceu de um Império decadente, militarmente anárquico e, sobretudo, embriagada pelo corporativismo, e agredida por federalistas, proprietários de escravos, agiotas e cafetões, que exigiam indenização pela abolição, e pelos Republicanos, deve dar lugar a uma Nova Era democrática no país com a ampliação dos conceitos de cidadania e participação popular, fortalecendo os Pactos, sobretudo Federativo e Constitucional, ou seja, outra República.
As Constituições são a base pendular dos nossos sistemas democráticos ao longo da história. O fato determinante deste período de retrocessos é a tentativa de alterações profundas em seu texto, com feridas profundas nas bases da Constituinte Cidadã de 1988 revogando Direitos Sociais e a manutenção dos arcaicos costumes políticos, a ineficiência do Estado e a decadência de seu funcionamento, por exemplo, no campo dos tributos, em que predomina o rigor na arrecadação e o chamado “manicômio tributário”, sob a égide do “Laissez faire, laissez passer, lê monde va de lui même” (Deixe fazer, deixe passar, o mundo vai por si mesmo), de Vincent de Gournay (1712 – 1759), cujo discípulo foi o famoso Adam Smith, baluarte de uma elite decadente.
Outra República nasce da Pátria, do espaço onde todos são iguais em deveres e direitos, da justiça e do equilíbrio. E, a proclamação de outra república só pode ser feita pelo Povo brasileiro, com o destino em suas mãos, de forma livre e soberana. Hoje, diante da atual conjuntura ‘a única forma de recolocar o Brasil nos trilhos do desenvolvimento e de devolver a esperança ao nosso povo é a realização de eleições diretas’. Uma Frente Ampla, suprapartidária, que congregue todos os que estão comprometidos com a ideia de que é o povo quem deve se pronunciar, é o caminho, cuja estrada se constrói com o trabalho, a consciência e a luta.
 
*Vinícius Puhl
Trabalha no Setor Industrial de Santa Rosa/RS
Dirigente do PCdoB, foi presidente da UJS e do Sintratel/RS

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