LIBERALISMO A JATO

por Paulo Schmidt*
Não se enganem! A grande imprensa não mudou repentinamente. Apenas observa a melhor aposta, como sempre faz.
Até ontem o Temer servia aos propósitos liberalizantes, mas sua Ponte para o Futuro, na analogia dos neoliberais, é muito longa e precisa ser estreitada. E por esta razão, Temer deve ser “fritado” e deposto, e, em seu lugar, colocado alguém que não tenha compromisso ou interesse com as eleições de 2018. Pouco importa o crime que tenha cometido, ou se não cometeu crime algum. Não é isso que está em jogo para o grande capital. Aliás, as grandes corporações econômicas, como se viu, se alimentam da corrupção para constituir seus impérios. Portanto, discutir o cenário pelo viés “moralista” tão somente é fechar os olhos para o que se esconde por trás da notícia. É negar a realidade dos fatos.

As Reformas liberais que já estão sendo feitas no país, tais como o corte de investimentos públicos em saúde e educação; Reforma da Previdência e Reforma Trabalhista, não tem por propósito ajustar as contas, modernizar a lei ou garantir aposentadorias no futuro. Elas cumprem a retórica neoliberal da diminuição do papel do Estado brasileiro, para economizar com os pobres e garantir o pagamento dos juros da dívida pública que alimenta a elite financeira.
Acontece que, diante do cenário político, nem é certo que estas Reformas serão executadas pelo atual governo. Por isso é necessário mudar o comando, para que mesmo com as investigações andando, mesmo com o calendário eleitoral de 2018, não tenha outro compromisso senão o de colocar em votação, além dessas Reformas, as grandes privatizações que ficaram empacadas na era FHC, pelos mesmos motivos.
E, sendo assim, o interesse internacional no petróleo e gás do Brasil e a gula dos bancos privados por ampliação de seus ativos faz com que aproveitem a oportunidade de ouro que lhes é apresentada, investindo pesado na grande mídia que tem o papel de vender a ideia.

Para que consigam, dentro dessa nova fase do golpe neoliberal, promover seu intento, defendem a deposição de Temer e Eleições Indiretas. E já se sabe que o grande preferido dessa turma é o atual Ministro da Fazenda Henrique Meirelles, justamente por ser afinado com pensamento liberal de Milton Friedmann e aliado das grandes corporações econômicas, tendo, inclusive, sido presidente do grupo JBS no Brasil.

O Brasil privatizado está sendo gestado faz algum tempo. A aceleração desse processo foi “oportunizada” com a gravação da conversa entre Joesley Batista e Temer no porão do Jaburú. Os desdobramentos a seguir preocupam a todos, bandidos e inocentes. Cada um, por suas razões.

*Paulo Schmidt é Presidente do Sindicato dos Bancários de Santa Rosa e Região – SEEB.

 

Foto de capa: Adam Smith. Um dos principais teóricos do liberalismo econômico.

Pin It on Pinterest

Share This