O fascismo social nasce nos desertos de reciprocidade e cresce nas distâncias com a plateia, o público e as outras pessoas 

 

por Sandra Vidal Nogueira*

Fascismo, palavra derivada do italiano fascio, se origina do latim fascis, símbolo da autoridade dos antigos magistrados que usavam um feixe de varas para exercer seus poderes, contra corpos opositores. Nos períodos mais recentes da História Ocidental, se tornou filha da 1ª guerra mundial e inimiga da expressão comunismo. O paradoxo mais contundente na atualidade é a existência de estados democráticos perpassados por lógicas acentuadas de fascismo social.

Este fenômeno pode surgir nas relações familiares, de amizade, estudo ou de trabalho. Possui uma dinâmica própria que é a disseminação do ódio contra o que existe e uma não aceitação aos princípios constitucionais: democrático de direitos e de bem estar social.

Sexista e misógino, racista e homofóbico, o fascista social possui uma cordialidade rasa, fundada na matriz do voluntarismo, da pouca reflexão e da violência crescente contra os inimigos, que são todos aqueles diferentes dele. Não é à toa, que seus aliados são escolhidos entre os integrantes do chamado ‘baixo clero’ da vida nacional e sua escalada se faz em projetos de poder, exclusivamente.

Comportamentos nada republicanos são adotados e faz uso de munição pesada contra alvos preferenciais: a sexualidade, as crenças religiosas, a vida familiar e o partido político da outra pessoa.

Há um perfil comum na vida desse sujeito: a origem familiar fundada na matriz da disciplina severa com o trabalho, do desamor, da falta de sensibilidade ao mundo dos prazeres e do ócio e do medo exacerbados. O que está fraturado no comportamento antissocial do fascista é sua capacidade de estabelecer interação, portanto, reciprocidade e diálogo.

Vale lembrar que a atitude de estabelecer pontes carrega em si um instrumental existencial de grande valor ao amadurecimento pessoal. Desse modo, o fato de alguém se colocar no lugar da outra pessoa, representa um indicador de inteligência e uma importante categoria cognitiva, além de atributo moral. Acrescenta-se a isso, a função de sustentar a subjetividade humana, tornando-a mais robusta e consistente.

Infelizmente, se aliar ao ódio para obstruir pessoas tem adesão das mídias, pois agrega valor econômico, ao contrário do amor, que não possui público, exceto em versões cinematográficas.

No caso brasileiro, o fenômeno de valorização do fascista emerge na cena política de um país que procura, incessantemente, a figura de um pai para tutelar e a quem prestar obediência. Um povo que não possui maturidade para decidir seu próprio destino como nação emancipada e busca a tutela das oligarquias ou dos salvadores da pátria. Portanto, não são manifestações propriamente ditas políticas de primeira linha. São essencialmente sociais de base e coexistem com uma democracia de baixíssima intensidade.

Conclui-se, assim, que nada melhor do que plantar dúvidas no ambiente de conforto do fascista, questionar seus monólogos travestidos de diálogos e fazê-lo encarar o espelho quebrado de sua existência, confrontando-o com aquilo que ele mais odeia a plateia, o público e as outras pessoas!

*Sandra Vidal Nogueira é professora da UFFS Campus Cerro Largo e presidente do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores.

>> Acesse o seu site: www.sandravidalnogueira.com

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