por Sandra Vidal Nogueira*

De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relativos ao Censo de 2010 sobre a religião declarada dos brasileiros, constata-se que o Brasil permanece sendo a maior nação católica do mundo. Contudo, evidencia-se pela primeira vez que a Igreja Católica Apostólica Romana teve queda da ordem de 1,7 milhão de fiéis e um encolhimento de 12,2%. Estes números são impactantes, visto que em quase um século (entre 1872 e 1970) a perda foi de 7,9%. Em 1970 havia 91,8% de brasileiros Católicos, já em 2010 essa fatia passou para 64,6%. Quem mais cresce são os Evangélicos, que, nesses quarenta anos saltaram de 5,2% da população para 22,2%.

Na Rússia houve revolução e a igreja permaneceu ortodoxa e nos EUA mesmo com a guerra civil o país se manteve protestante. No Brasil acontece o inverso. É cada vez maior o número de brasileiros que nascem em berço evangélico. Há uma verdadeira revolução da fé, absolutamente silenciosa em andamento, redefinindo crenças, ideologias, práticas na vida cotidiana e escolhas políticas. Essa revolução acontece no contexto das migrações internas (parcela delas decorrente da expulsão da população do campo, que se deslocou para as periferias nas regiões metropolitanas) e nas ausências de atuação, provocadas pelo catolicismo e pela ação do estado brasileiro.

Atentas ao novo perfil populacional, as igrejas evangélicas foram construindo forte pertencimento de fiéis com agilidade e flexibilidade, além da defesa de valores mais rígidos e da permanência familiar. A partir dos anos 90, as correntes pentecostais[1] ingressaram maciçamente na política brasileira. A Igreja Católica Apostólica Romana, por sua vez, atua na perspectiva de ser hegemônica e herdada do processo histórico de colonização do Brasil. Situada tradicionalmente em seus lugares de origem, possui uma estrutura burocrática, centralizadora e não altera padrões com facilidade. A tendência será haver um equilíbrio em tamanho da população entre Católicos e Evangélicos até 2030.

O contingente de Católicos foi reduzido em todas as regiões do País, porém se manteve mais elevado no Sul e no Nordeste. Na Região Norte foi ocorreu a maior redução de adeptos do catolicismo. No Rio Grande do Sul há 7.359.675 de Católicos Apostólicos Romanos e 1.959.088 de Evangélicos. Isto representa 69% e 18,3%, respectivamente, em relação ao total de habitantes. Na Região das Missões[1] o mapa de circulação da fé é descrito abaixo e mostra a produção de novos retratos. Eles estão postos em números absolutos e também percentuais sobre o total de habitantes em cada Município.

 

Dos 313.684 habitantes na Região das Missões, os Evangélicos somam 21,3% da população, enquanto os Católicos Apostólicos Romanos 71,2%. Ubiretama já possui mais Evangélicos. Esta população aparece também com percentuais igual ou superior a 25%, em dez Municípios. São eles: Itacurubi, Entre-Ijuís, Eugênio de Castro, Giruá, Porto Xavier, Roque Gonzales, Rolador, São Paulo das Missões, Ubiretama e Vitória das Missões. O maior índice de população Católica reside em Salvador das Missões, seguido por Mato Queimado, São Pedro do Butiá e Sete de Setembro. Nos Municípios com mais de 30 mil habitantes: Santo Ângelo, São Borja e São Luis Gonzaga, o contingente de Católicos está localizado entre 68% e 72%. Exceto em Ubiretama, todas os demais Municípios possuem percentuais acima de 50% de população Católica.

[1] Pertencem a essas correntes as seguintes Igrejas: Assembléia de Deus, Congregação Cristã do Brasil, O Brasil para Cristo, Evangelho Quadrangular, Universal do Reino de Deus, Casa da Benção, Deus é Amor, Maranata, Nova Vida, Evangélica renovada não determinada, Comunidade Evangélica, Outras igrejas Evangélicas de origem pentecostal.

[1] De acordo com a Federação das Associações dos Municípios Gaúchos (FAMURS). 

*Sandra Vidal Nogueira é professora da UFFS Campus Cerro Largo e presidente do Partido dos Trabalhadores na mesma cidade.

>> Acesse o seu sitehttps://www.sandravidalnogueira.com/

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