por Mauro Lopes*

A Estácio, segunda maior corporação privada dedicada à formação de mão de obra barata do país, anunciou nesta terça (5) que demitirá mais de 10% de seu quadro de professores. Serão 1.200 demitidos, dos 10 mil docentes. A empresa de “educação” informou candidamente que em janeiro irá recontratar os 1.200.
Motivo da operação, admitido abertamente pelo grupo: reduzir os salários dos professores e professoras que, segundo a Estácio, estariam “acima do mercado”.
É um dos primeiros movimentos da reforma trabalhista do golpe.
Os golpistas e seus financiadores e porta-vozes na imprensa anunciaram que a reforma iria favorecer muito a economia, porque reduziria o “absurdo” custo de contratação no Brasil e com isso haveria uma enxurrada de novas vagas, propiciando crescimento.
O caso da Estácio é exemplar e indica o que virá.

Quem foi favorecido pela medida?
1. Os professores e professoras demitidos e suas famílias evidentemente, não.

2. Os alunos e alunas também não, pois a Estácio não anunciou redução nas mensalidades e os estudantes terão em suas salas de aula 1.200 docentes indignados, desestimulados e humilhados.

3. Os donos dos apartamentos e casas onde moram os professores que pagam aluguel também não serão favorecidos, pois com a redução da renda familiar aumentará a inadimplência e muitos terão que se mudar em busca de um aluguel menor.

4. Os donos do comércio ao redor das unidades da Estacio e das residencias dos professores também não serão favorecidos, porque com o aperto nos cintos, os docentes irão consumir menos.

5. Os proprietários das escolas particulares onde estudam filhos e filhas dos professores também não, porque alguns deles já não poderão mais arcar com as mensalidades, aumentando a inadimplência e exigência de bolsas.

6. A lista não acaba.
Como se vê, o efeito da reforma é redução da atividade econômica, uma cascata de arrocho, dificuldades, infelicidade, stress, depressão.

Só dois grupos são favorecidos pela medida:

1) os donos/acionistas da Estácio, que estourarão champanhe no fim de ano com o aumento da margem de lucro de seu negócio; e

2) todos os que receberam ou receberão dos donos da Estácio benefícios (grana) pela medida, no Legislativo e Executivo, na forma de “doações de campanha” ou outras doações.
Milhões foram às ruas para exigir a queda de Dilma. Desses, só um grupinho irá de fato gozar -o resto vai enxugar as lágrimas nas camisas amarelas. Talvez, dentre os 1.200 demitidos, tenha gente que saiu às ruas contra o governo eleito. Foram enganados, feitos de trouxas.
Quanto ao povão que não entrou na conversa fiada dos ricos e seus aparelhos ideológicos, esse já sabia o que estava por vir e não se iludiu.
2018 promete.

* Mauro Lopes é jornalista do site Caminho para Casa. Atuou na Carta Capital e Jornalista Livres.

http://bit.ly/ApoieCaminhoPraCasa

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