por Jaqueline Grando*

Tratando-se de rock gaúcho não seria corujismo gavar os Garotos da Rua, brotos dos 80’s no gênero. Dois dos integrantes  em especial guardo mais apreço: Bebeco e Edinho – desde que me apresentaram a banda nos anos 2002. Além do talento e charme dos ‘serezinhos’, tanto na voz quanto nas baquetas, a atitude. Sempre achei aquela voz expressiva e, além do mais, curto muito bateria. É um instrumento que, assim como o baixo, mantém minha audição conectada na melodia (tratando-se da curiosa que sou… rsrs). Engrandece a sucessão de tempos.

 

Mas voltando a falar dos Garotos, ouvi muito! De pedir em rádio e gravar no toca-fitas. As favoritas para hora do chuveiro: ‘Sabe o Que Acontece Comigo?”, ‘‘Meu Coração não Suporta Mais’ e “Tô de saco cheio”.. Nas jantas e junções para compartilhar destilados baratos, só lembro de ter ouvido rock, ainda mais com pegada blues. Agora pensa me apresentarem nacional, especificamente gaúcho. Sugeridos aqui, apresentados ali e no Chacrinha! Muita água rolou desde 2002. Oito anos depois que comecei a ouvir o vocal febril do Bebeco, um tumor na cabeça o fez cantar eternamente nas faixas. Pensei que nunca conheceria nem um dos dois! King Jim veio pras bandas e nunca sequer, rumores dos demais.

Onde quero chegar? Trabalho com fotografia (novidade pra quem não sabia… no momento sobrevivo desse meio em modo engavetado) e no último sábado (23) registrei o show da última versão do Garotos aqui em Santa Rosa. Foi tipo, ducaralho!  Fluiu na imaginação a vibe do  Rocket 88. Estava prestigiando pela primeira vez e admirando mais que sempre. – E quem veio? Edinho, tranquilo numa camisa poá. Aninhado de bumbo, caixa e tom, ele reproduziu com a banda todos os hinos e depois, discretíssimo desceu beber sua long da copa do clube enquanto assistia a segunda banda.

Fez a nostalgia. Em diferentes gerações: febre. Muita gente cantou todas sem chuveiro.  Ele manteve-se humorado para os click’s, um lorde com pose de magnata. Fisicamente me lembrou Bryan Cranston, aquele ator que interpretou Walter White na série Breaking Bad.

Muita água rolou desde 2002, oito anos depois o vocal calado por um tumor. No que costumo ouvir, rolaram mares, muita coisa boa de modo atemporal vem, mas poucas me trazem a nostalgia daqueles tempos. Ele não parecia nada cansado, espalhou energia para todos aqueles olhos e corações. É cancheiro velho.

*Jaqueline Grando é uma excelente fotógrafa. Nas horas que a Lolô dorme, ela (d)escreve os eventos que ela curte na night, especial para a Revista Afinal.

 

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