Por Paulo Schmidt (*)

Quando a Constituição Federal foi promulgada em 1988, depois de mais de duas décadas sob a égide do Regime Militar, a impressão de liberdade representada nos direitos ali inseridos tomaram conta da população brasileira. A nova Carta Magna dava a impressão de um novo marco para a República.

Com a constituição cidadã, “O Povo Pode”, sugeriram muitos atores sociais da época. Mas será que depois de três décadas de sua existência, mantemos a mesma impressão que tínhamos em sua promulgação?

O tempo passa tão rápido e a conjuntura política e social é muito dinâmica e flexível. Hoje a defesa contundente da CF, mais especificamente em relação aos direitos sociais ali inseridos (muito ainda aguardando regulamentação) é de certa forma, perigoso, na medida em que os defensores serão chamados de “comunistas”, “bolivarianos” e outras adjetivações que causam espanto e até ironia por parte do mundo civilizado.

A fúria capitalista (lucrar acima de tudo) não se move, nem se comove baseada nas leis. Se for preciso, se reinventa para além dos modelos tradicionais do Fordismo e Toyotismo. O poder econômico e financeiro está acima de todos os outros. Não tem Constituição Federal que impeça de estabelecer o seu sistema econômico, de derrubar governo, de impor sua agenda liberalizante e destruidora de direito (garantias individuais, sociais, trabalhistas) para conseguir seus objetivos. Esse é o perigo real em que está vivendo a Classe Trabalhadora (que vive de salário). As leis estão sendo modificadas e suas referências políticas, condenadas, para que não tenham a quem recorrer para reparar as consequências de tamanho golpe.

Diante disso, a realidade nos impõe uma agenda bem maior do que a disputa corporativista pela Convenção Coletiva de Trabalho em eventual campanha salarial. O primeiro passo é nos reconhecermos como integrantes da Classe Trabalhadora. A partir disso, criarmos elos com demais categorias e participarmos das mobilizações em Defesa da Democracia, da Constituição, da Soberania Nacional e da Liberdade.

A disputa política que estamos vivenciando, nada mais é que a disputa pelo orçamento federal, onde de um lado estão os banqueiros e seus confrades, e de outro, a imensa parte da população brasileira. A fome do Sistema Financeiro privado é absurda e voraz, e, se não nos unirmos em defesa do remédio político adequado para retomarmos as rédeas da condução da República, estaremos ajudando a alimentar esse monstro que a nós todos destruirá. A defesa e manutenção dos bancos públicos (Caixa, BB, Banrisul) passam por este processo político e eleitoral. A defesa e manutenção dos Sindicatos, e, por ocasião, da Convenção Coletivo de Trabalho, também correm pelo mesmo caminho. A decisão é de cada um, porém, a resolução dos problemas que estão colocados é de todos, de forma unida e coesa.

“O Povo pode, se unido, lutar contra seus inimigos reais”.

(*) Presidente do Sindicato dos Bancários de Santa Rosa e Região.

[Texto originalmente publicado no Informativo Bancário distribuído à categoria]

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