por Elton Alóis Schmorantz (Schimo)

 

Tal qual um daqueles célebres e saudosos primeiros Musicantos, só que desta vez fruto do mero acaso, Santa Rosa volta a oferecer à comunidade regional uma inusual cartela de atrações musicais da mais alta qualidade, ainda que de interesse popular cada vez mais rarefeito – sinal dos tempos, infelizmente. Mas o que se há de fazer…

Os primeiros acordes sairão das mãos, violão, piano e guitarra do porto-alegrense Duca Leindecker. Duca retorna ao palco do Centro Cívico – mais de três décadas depois de sua estreia em nosso palco sagrado – para uma apresentação solo em que reunirá canções espelhares de toda sua trajetória, desde os passos iniciais a bordo da Bandaliera, passando pelo seu grupo Cidadão Quem, pelo duo Pouca Vogal e desaguando em seu recentíssimo álbum solo, “Baixar Armas”. A função é hoje, segunda-feira, 6 de agosto, 19h30min, no Centro Cívico Cultural Antônio Carlos Borges. Este show dá o pontapé inicial na programação da 14ª Feira do Livro de Santa Rosa e, como de resto todas as atividades da Feira, tem entrada franca.

Na quinta-feira, dia 9, também às 19h30h, será a vez do legendário Tiago Ferraz transmutar ao referido palco o repertório de seu primeiro trabalho solo, “Famoso Quem?”, acrescido dos recortes mais emblemáticos do cancioneiro que ele urdiu ao longo do convívio com seus parceiros de Estado das Coisas e Rock de Galpão. O giruaense Tiago terá a guitarra prata da casa de Marcelo Corsetti como uma das peças de seu Quarteto. Espera-se também uma participação de seu ex-brother de estrada, Cláudio Coelho Joner. Tiago, Marcelão e Coelho, taí uma boa trinca de ases.

E por falar no Cláudio Joner, caberá ao distinto encerrar a programação cultural desta 14ª Feira do Livro de Santa Rosa. Obviamente, ele não o fará sozinho. Revolvedor das coisas e agregador das gentes, Coelho chega aqui à frente de seu 17º projeto musical – se é que não estou derrapando nas curvas da memór…  estrada de Santos… 18º projeto, tinha esquecido daquele grupo de covers do Rei Roberto que convulsionou as noites do Estação Cult Bar –, o Da Lenha Folk Orchestra. Irmanado a Paulo Severo, Vinicius Kunzler, Flávio Almeida e Rivas Júnior, Coelho aposta numa formação de bluegrass para revestir com essa sonoridade canções que já habitam o imaginário popular de vários rincões. Será na sexta-feira, 10 de agosto, 16h.

Acionando o “pause”

Mas como estamos imersos numa feira do livro, é forçoso também neste recado anexado deitar algumas letras sobre questões mais especificamente literárias.

Comecemos pela presença de Dilan Camargo, Escritor Homenageado desta Feira. Dilan estará durante toda terça-feira (7) circulando pelo local e realizando algumas atividades específicas (vide programação completa, também anexada). Cabe aqui rememorar um antigo vínculo de Dilan com nossa terra e nossa herança musical: sua parceria (como letrista) com o compositor Celso Bastos, “Canto da Mulher Prometida”, sagrou-se vencedora do 2º Musicanto Sul-Americano de Nativismo.

Ainda na mesma terça-feira, às 18h, virá à luz, enfim, “Vento Castelhano”, novela há muito burilada pelo seu autor, Clairto Martin. A expectativa é considerável. Clairto, que acumula ofícios de jornalista, editor e professor à sua vocação de escritor, é também um dos responsáveis por uma alentadora característica de nossas feiras do livro: os lançamentos de coletâneas resultantes das oficinas literárias de alguns persistentes difusores do ato de (bem) escrever. A saber, além do citado, Débora Rodrigues, Gilberto Kieling e Maria Inez Pedroso.

A manhã da quinta-feira (9) será do Peninha, também conhecido como Eduardo Bueno, figuraça multifacetada (jornalista, tradutor, escritor…) que terá a difícil missão de chacoalhar nossa moçada e despertar neles a curiosidade acerca dos fatos de nossa história e (oxalá!) a sede pelo saber. Peninha provavelmente circulará na Feira durante a noite anterior (quarta), quem sabe até interagindo no painel que discutirá as múltiplas implicações das postagens nas redes sociais.

O feriado de sexta-feira testemunhará um inesperado relançamento: “O Fundo Invisível do Olho”, de Gilberto Kieling. Nesta reedição de seu romance, Beto revisa o texto original (lançado em 1987) e demonstra que sua volta à literatura (marcada pela surpreendente vinda à tona do também romance “A Varanda”, em 2016) é pra valer. Outro sintoma disso foi seu envolvimento com um projeto onde conduziu uma série de encontros com seus pares de letras, que resultou na edição da coletânea “Musicontos”, que será lançada às 15h45min da mesma sexta-feira.

Um Patrono pra lá de especial

O Patrono da 14ª Feira do Livro de Santa Rosa chama-se Paulo Heitor Fernandes, popularmente conhecido – e bota conhecido nisso! – por PHF. Pois a meu ver, o PH é o principal fato desta Feira. Serão quatro dias com sua indelével presença, de corpo e alma, circulando ativo e incansável pelo coração dessa cidade que ele teima em não abandonar (quantos “emigrados” vocês conhecem que cultivam esse hábito?). Cabe a nós aproveitarmos mais essa oportunidade para travar contato com sua sólida cultura e suas histórias mui peculiares. Quem ainda não o conhece, tem agora uma chance de ouro.

Soltando o “pause”

Finalizado o parêntese literário, voltemos ao assunto inicial do recado, a cartela de atrações musicais.

Em seguidinha ao final da Feira do Livro, o feriado de 10 de agosto ainda nos reserva uma oportunidade irrecusável: nada menos que a presença do paraibano Zé Ramalho, um dos pilares de nossa MPB, à qual ele agregou pitadas de um folk lisérgico e visionário, mas também as asperezas da caatinga. O show é no Parque de Exposições. Ingressos pelo https://www.blueticket.com.br/22715/Ze-Ramalho.

Encerrada a Feira, rolado o Zé Ramalho, será a hora e a vez do 4º Aldeia Sesc Yvy Pitã. De sábado (11) à quarta-feira (15) o Sesc espalhará uma série de atrações culturais pela cidade. Por uma questão de concisão (sem brincadeira, juro), anotamos aqui, e bem resumidamente, os principais números musicais: os ritmos sulinos sob as novas roupagens da Yangos (sábado), o batuque imemorial do Alabê Ôni (segunda), e – last but not least – o bardo satolepense, Vitor Ramil (terça). Todos os detalhes da programação do Aldeia Sesc podem ser conhecidos pelo link: https://www.revistafinal.com/2018/07/10/show-de-vitor-ramil-e-destaque-na-4o-aldeia-sesc-yvy-pita/

Minha impressão é que vai faltar tempo, disposição… e, talvez, grana.

Este foi, pois, o recado do Schimo, irmão do Ado (abração, Mó!).

P.S. Peço desculpas por ter abordado de forma tão resumida os últimos tópicos, mas alonguei-me mais do que pretendia nos parágrafos iniciais, e, também, devido ao adiantado da hora… E tem outra, se alguém chegou até esta parte final do texto – certamente não foram muitos – não vai se importar em ter de acessar o link indicado para tomar conhecimento dos devidos detalhes.

P.S.2 Nunca achei que divulgaria um show do gigante Vitor Ramil aqui em nossa santa cidade, utilizando menos de uma linha de texto. Juro.

 

Pin It on Pinterest

Share This