Dados foram levantados no Mestrado em Desenvolvimento e Políticas Públicas do Campus Cerro Largo

CERRO LARGO // Para cerca de 48% dos agricultores da Fronteira Noroeste do Rio Grande do Sul, o rádio é a principal fonte de acesso à informação. O segundo meio de comunicação mais acessado é a internet, com 32% das preferências, sendo citados, na sequência, a televisão e o jornal, mas em menor grau. Os dados foram levantados durante o período de 15 de agosto e 15 de setembro de 2018 pela jornalista Deise Anelise Froelich durante o Mestrado em Desenvolvimento e Políticas Públicas na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Cerro Largo.

Foram 374 agricultores familiares entrevistados em 20 municípios da Fronteira Noroeste: Alecrim, Alegria, Boa Vista do Buricá, Nova Candelária, São José do Inhacorá, Três de Maio, Horizontina, Novo Machado, Independência, Santa Rosa, Santo Cristo, Porto Vera Cruz, Porto Lucena, Porto Mauá, Tuparendi, Tucunduva, Doutor Maurício Cardoso, Senador Salgado Filho, Cândido Godói e Campina das Missões.

A jornalista, que é assessora de imprensa da Emater/RS-Ascar, explica alguns dos fatores que levam o veículo a ser um dos preferidos deste público: “A retratação do cotidiano e da linguagem existentes na comunidade é uma expectativa ao ouvir a programação da rádio e criam uma relação de intimidade entre emissor e receptor da mensagem radiofônica. A agilidade da informação transmitida também reafirma seu imediatismo e instantaneidade, permitindo que o ouvinte tenha conhecimento dos fatos, muitas vezes, simultaneamente a sua ocorrência”, afirma. Segundo relatos ouvidos durante sua pesquisa, a possibilidade de trabalhar enquanto se informa, contribui para a presença deste veículo de comunicação nas comunidades rurais. O rádio, desta forma, acaba se fazendo presente nos mais diversos momentos do cotidiano de um agricultor, como por exemplo, na ordenha de vacas e durante o plantio ou colheita, dentro das colheitadeiras e tratores.

No entanto, a passos largos, uma nova realidade de acesso à informação está em construção. Deise aponta que a internet, apesar da indisponibilidade de serviço em alguns pontos, avança de forma via telefonia celular ao passo que 32% dos entrevistados – especialmente jovens e agricultores com Ensino Médio Completo e Ensino Superior – afirmaram ser esta a sua principal fonte de informação de caráter técnico, principalmente por meio de redes sociais, WhatsApp e sites de notícias. Por outro lado, ela apresenta uma vantagem em relação a outros meios, a exemplo do rádio: a forma como permite a interação leva à interatividade entre emissor e receptor da mensagem, interferindo ainda mais em decisões. “Agora não apenas mais se recebe informação ‘pronta’, é possível também produzi-la a qualquer momento. E é fato que a convergência das mídias também aproxima as demais mídias da internet e vice-versa”, observa.

Por outro lado, um importante resultado da pesquisa, alcançado através de entrevistas em profundidade, é de que apesar do frequente acesso à informação pelo rádio e pela internet, o contato pessoal, com o técnico, ainda é primordial para a tomada de decisões: 52% dos entrevistados afirmaram que souberam da existência de políticas públicas que acessaram por intermédio de eventos e de visitas de técnicos e não em veículos de comunicação, apontando a necessidade de as instituições aproveitarem melhor o espaço midiático para a divulgação deste tipo de informação e a importância das relações interpessoais na criação de vínculos de confiança. “O fio condutor entre o processo de comunicação e a tomada de decisões está na interação por meio de formas de comunicação bilaterais, de modo especial o diálogo estabelecido nas relações interpessoais. Esta interação vai ser crucial para que a instituição de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) desenvolva suas atividades com êxito e para que seu público assistido possa construir seus elementos decisórios com maior embasamento”, afirma a pesquisadora.

A dissertação, intitulada “Acesso à informação por agricultores assistidos pela Emater/RS – Ascar e sua influência na tomada de decisões”, foi orientada pelo professor Lívio Osvaldo Arenhart e teve o objetivo de compreender através de quais meios os agricultores familiares, assistidos pela Emater/RS-Ascar na Fronteira Noroeste do RS, acessam informações que influenciam em suas decisões nas propriedades rurais. Também foram analisados quais os meios de comunicação de maior audiência entre o público assistido pela Emater/RS-Ascar; a interferência dos marcadores sociais “gênero”, “faixa etária”, “grau de escolaridade” e “renda familiar” na escolha pelos meios de comunicação mais acessados; e foram realizadas inferências sobre a relação entre o acesso à informação e o acesso a políticas públicas voltadas à agricultura familiar e executadas pela Emater/RS-Ascar.

Os resultados da pesquisa foram apresentados durante sua defesa, realizada em fevereiro deste ano, na UFFS – Campus Cerro Largo, e contou com a presença dos professores Lívio Arenhart, Evandro Pedro Schneider e Cleia dos Santos Moraes.

Mais informações sobre a pesquisa podem ser solicitadas à autora, pelo e-mail: deisefroelich1@gmail.com.

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