O ano de 2019 entra para a história da participação brasileira em Cannes como um novo marco. No sábado, Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, dividiu o Prêmio do Júri com Lés miserables, do francês Ladj Ly. “Nós vivenciamos uma lenta construção da produção de filmes no Brasil nos últimos 15 anos,  por intermédio de políticas de financiamento. Agora vemos ameaças de cortes de verba para as artes, a educação. Bacurau é uma coprodução com a França, metade de seu orçamento vem de financiamento público brasileiro. Então esses prêmios que os filmes brasileiros receberam aqui se tornaram irônicos”, explicou Mendonça Filho durante coletiva. Alguém quis saber se os realizadores fariam uma sessão para o presidente Jair Bolsonaro. “Ele será bem-vindo. Pode até acabar gostando dele”, disse o diretor pernambucano.

 

Na sexta, A vida invisível de Eurídice Gusmão, de Karim Aïnouz, venceu o prêmio de melhor filme na mostra Um Certo Olhar. Inspirado no premiado romance homônimo de Martha Batalha, a trama gira em torno de duas irmãs que são separadas e acabam vivendo vidas, cada uma à sua maneira, assoladas pelo machismo. Ao receber a honraria, o cineasta cearense disse que o Brasil está passando por um “momento de intolerância muito forte” com “ataques gigantescos” à cultura e à educação. Ele dedicou a vitória a todas as mulheres no mundo.

fonte: Meio – www.canalmeio.com.br

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