Professores mal informados, mal formados.

Alunos desestruturados, desesperançados.

Eleni Teresinha Lugocch (*)

 O debate a muito se acirra de ambos as lados: pais que não conseguem mais acompanhar as crianças nas atividades escolares, ajudar  na lição de casa, e de outro viés, professores desmotivados, sobrecarregados, desvalorizados, e, triste dizer, (com louváveis exceções) acomodados no murmúrio que percorre os corredores.

Não são raras as queixas de professores sobre a crescente falta de interesse e motivação dos alunos pela sala de aula. Pois bem, frente a vastidão de um mundo de aprendizados, tão infinitos quanto se fossem de imaginação, porque confinar os aprendizes como “animais” entre quatro paredes de uma sala. Não deveriam eles conhecer o mundo com toda facilidade que se lhe dispõe hoje, e serem ainda, motivados a isto? Seria inócuo fazê-lo repetir 30 vezes no caderno: “não vou mais deixar de fazer os temas“ e, socialmente, até pareceria justo.

Ora, pois, onde estão nossos parâmetros de justiça, de verdade? Para quem estamos mentindo, enganando? Trazer primeiramente ao professor a experiência de vivências de uma nova pedagogia, voltada para o todo do ser humano, e não apenas para o repasse de informação (há tanto já desnecessárias e maçantes) é o primeiro passo.

Quando o educador experiencia a água viva do conhecimento, torna-se fonte dela, percebe cada dificuldade como um desafio e sente-se honrado em receber o desafio.

Quando se fala em tarefa de casa, logo me vem à mente: mais um pouco de aula pra fazer em casa. E foi assim com meus pais, e meus filhos, e os pais de meus pais. O Método não mudou. Desde o século XX,  que repassar conteúdos parecer ser a única forma aceita.

A história da educação no Brasil teve início em 1549, mutilando culturas ainda hoje, em um modelo que se arrasta praticamente inerte. Só em 1808, com a mudança da sede do Reino de Portugal e a vinda da Família Real para o Brasil-Colônia, surgiram instituições de cunho cultural e cientificas, de ensino técnico e dos primeiros cursos superiores (para educar os filhos dos nobres e mais abastados) (1).

O caso é que os objetivos continuam os mesmos, manter a roda-viva; como nas palavras do cantor, que ninguém descubra o valor que a educação e o conhecimento têm. Não há maior liberdade do que poder criar, do que poder descobrir o mundo através das próprias emoções e sensações.

O conglomerado de sentimentos, emoções, valores, significados, faz considerar a importância destes processos de integração entre o saber e a experiência.(2),  questionando, fomentando a cooperação, motivando para a concentração, foco e concepção de um currículo mais afim das suas habilidades do que da conveniência que se apresenta.

Nas palavras de Dewy (1938), tem-se que “para entender a complexidade do conhecimento prático, devemos compreender a convergência e interação dos aspectos significativos que há em toda experiência humana”. (3)

Por fim, lembro-me da primeira experiência enquanto estagiária. Eu era apaixonada pelo magistério. Mas sempre que percebia algo que podia usar em sala de aula ou fora dela para transformar aquele momento, em uma experiencia rica, eu o fazia. O resultado foi desastroso. Quando chegaram minhas supervisoras e perceberam que eu não seguia exatamente o que planejava, me reprovaram no estágio, passei por uma humilhação profunda e realmente, até iniciar o curso ainda não entendia o porquê.

Eu fiz o que minha intuição mandava e meu coração obedecia. Hoje, posso abraçar de cabeça erguida a cada um dos meus ex alunos e alunos de agora, porque apesar de ter sido tolhida e desestimulada, eu apostei no meu sonho. Não consigo ver um sentido vivo em aborrecer meus alunos com tarefas de casa enfadonhas. Penso que precisam reconhecer a riqueza que já trazem, e compartilhar com todos nós, e cada um cresce com o outro. Hoje, trabalho com crianças com necessidades especiais, e é tão mais fácil observar as pequenas conquistas, vibrar com cada uma delas. Penso que assim deveria ser a experiencia da escola todos os dias e para todos.

Hoje procuro estudar sempre e sempre mais, para que nenhuma situação semelhante possa voltar a acontecer, nem comigo, nem com ninguém, mas ainda estamos longe do ideal. Parecem existir forças invisíveis que maneiam o retrós do tempo a todo custo, para que permaneça lá… na zona do murmúrio, do conforto, dentro do padrão estabelecido e protegido.

 

REFERÊNCIAS

 

  1. Portal São Francisco. Educação no Brasil. 2019 .Disponível em<https://www.portalsaofrancisco.com.br/historia-do-brasil/educacao-no-brasil> Acesso em 30 de maio de 2019
  2. Perez, Gomes. As teorias de Aprendizagem: Âmbito de Atuação Pedagógica
  3. Estrella, Africa Mª Câmara. Teorias da Aprendizagem e bases metodológicas na formação. 2018. Fundação Ibero-Americana

 

(*) Eleni Teresinha Lugoch é Pedagoga, Neuropsicopedagoga Clínica, Pós graduanda em Neuropsicopedagogia clínica e Institucional, Pós graduanda em Educação Especial, Mestranda em Intervenção psicológica no Desenvolvimento e na Educação. Proprietária da Clínica Estímulos Neuropsicopedagogia.

 

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